Na última terça-feira, dia 14, saiu a tão esperada programação do No Ar Coquetel Molotov. Quase tudo vinha sendo mantido em segredo pelo pessoal da organização, somente umas três ou quatro atrações já estavam oficialmente confirmadas. Apareceram algumas boas surpresas principalmente quanto as bandas da “Invasão Sueca” e o Guilhermo Scott Herren com seu projeto, o Prefuse 73. Serão boas bandas em um ótimo lugar e, espero eu, um ótimo preço e público.
O No Ar Coquetel Molotov é um caso bem estranho levando em conta a cena independente atual no Recife. As coisas andam meio que paradas. Algumas bandas vem produzindo umas coisas bem legais e vez ou outra acontece um show legal com alguém de fora, ou mesmo de alguém que está dentro da cena. Raridades. De vez em nunca acontece isso. Muitas vezes se passam semanas até que surja algo um pouco interessante. Então a gente passa o ano inteiro no orkut sugerindo e opinindo quais bandas virão tocar no “No Ar” e alguns discutem sobre o Abril Pro Rock também. Eu sei que num é fácil produzir shows aqui, e que num tem muitos lugares, e mesmo quando tem lugar o pessoal vai reclamar, e não vai reclamar só do lugar, vai reclamar da hora, do dia, do preço do ingresso, do preço da cerveja, do som, de tudo. Mas reclamam e vão. Sempre quando o pessoal do Coquetel Molotov coloca uns shows lá no Uk em uma terça-feira da vida dá uma lotação boa. Tudo bem que algumas pessoas não estão indo pra ver o show mesmo mas mesmo assim eles estão lá e pagaram pra entrar. Aí vem uma banda como o Ludov que há mais ou menos um mês atrás foi tocar em Natal e não passou por aqui. E eles acabaram de lançar um disco novo então, penso eu, devem estar morrendo de vontade de tocar em tudo quanto é lugar.
Só acho que tudo poderia está um pouco mais movimentado por aqui. Um lugar que é muitas vezes citado como um pólo cultural, com grande repercussão musical. E o povo tem de ajudar também. Pra num acontecer algo como o show da Jason, Supergalo e The Nation Blue. Tem um público grande de hardcore no Recife e eu num acho que foi tão mal divulgado assim pra ter tão pouca gente. Só uns gatos pingados lá naquela quinta-feira. Acho que tinha mais ou menos umas cem pessoas lá. Contando com o pessoal das bandas. E o público tava frio e chato, tirando umas exceções excêntricas. Era um show de hardcore sem ‘roda’, onde as pessoas que assistiam aos shows de vez em quando cruzavam os braços.
Bom, vamos ver se depois do “No Ar” desse ano o pessoal se anima um pouco pra agitar as coisas. Peço que por favor façam algo. Até.