#8

De volta! Já que tenho que dar notícias e fazer isso de um por um é um pouco trabalhoso demais…e como a gente tá roubando a conexão wireless de alguém do condomínio é melhor fazer logo de uma vez. Depois de passar quase uma semana gastando dinheiro no hotel bombs do indiano a gente finalmente conseguiu achar um apartamento que alugariam right away, porque a maioria só ia  ficar disponível depois, e a gente queria ir embora logo do hotel porque tava ficando cara a brincadeira lá.

A bronca maior tá sendo a falta de transporte com o excesso de frio. Antes a gente tava bem com um Mitsubishi 2009 bem legalzinho, mas a gente teve que devolver porque era um tal de 120 doletas por dia e tava apertando… Como a gente tá em uma cidadezinha pequena e tudo é longe e praticamente não existe transporte público a gente tá na merda. Pra ir de casa até o Wal-Mart é uma caminhadazinha de 40 minutos no frio de rachar o quengo. Mas pelo menos a gente conheceu nosso vizinho de porta que é um argentino aí ele tá dando umas caronas pra gente ficar indo pra cima e pra baixo na van dele. Tá ajudando um bocado pra ir nas liquor shops de noitee comprar umas cervas.

Ah, a internet tá frescando aqui, depois escrevo mais e coloco umas fotos.

#7

Bom, voltei. Passei um tempo por aí vagando sem destino pelo Recife. Cansei. Quero sair daqui. Parece que tudo tá mal e caminhando pra o pior. Tudo na maior das monotonias estranhamente acelaradas rodando em círculos viciosos bestas, acumulando os podres de todos os lados. Quero outro lugar, outra cidade, outras pessoas. Mas ao que tudo indica vou continuar por aqui como um caranguejo, que tenta subir numa daquelas árvores estranhas e quando consegue simplesmente cai. Algumas pessoas vem tentando me empurrar pra que eu me esforce e tente crescer de algum modo. Lê-se ganhar dinheiro. Muito dinheiro. Pra que eu possa gozar da minha velhice. Sinceramente eu acho muito mais proveitoso gozar ‘da’ e ‘na’ juventude. E mesmo que eu estrague todo o resto, eu já vou me encontrar bem embaixo então nem vou sentir tanto a queda, vou? Acho que sim. Mas nem me importo tanto quanto deveria. Se cair não fosse divertido quem saltaria de pára-quedas ou faria bungee jumping? Falando em quedas acho melhor eu cortar a besteira por aqui e me jogar na cama. É, ela me espera sempre. Acho que vou acordar meio ou completamente doente amanhã. Nunca se sabe. Tomara que nem meio. Já tô nessa e ainda é segunda-feira né?

Apatia. Vai.

#6

Na última terça-feira, dia 14, saiu a tão esperada programação do No Ar Coquetel Molotov. Quase tudo vinha sendo mantido em segredo pelo pessoal da organização, somente umas três ou  quatro atrações já estavam oficialmente confirmadas. Apareceram algumas boas surpresas principalmente quanto as bandas da “Invasão Sueca” e o Guilhermo Scott Herren com seu projeto, o Prefuse 73. Serão boas bandas em um ótimo lugar e, espero eu, um ótimo preço  e público.

O No Ar Coquetel Molotov é um caso bem estranho levando em conta a cena independente atual no Recife. As coisas andam meio que paradas. Algumas bandas vem produzindo umas coisas bem legais e vez ou outra acontece um show legal com alguém de fora, ou mesmo de alguém que está dentro da cena. Raridades. De vez em nunca acontece isso. Muitas vezes se passam semanas até que surja algo um pouco interessante. Então a gente passa o ano inteiro no orkut sugerindo e opinindo quais bandas virão tocar no “No Ar” e alguns discutem sobre o Abril Pro Rock também. Eu sei que num é fácil produzir shows aqui, e que num tem muitos lugares, e mesmo quando tem lugar o pessoal vai reclamar, e não vai reclamar só do lugar, vai reclamar da hora, do dia, do preço do ingresso, do preço da cerveja, do som, de tudo. Mas reclamam e vão. Sempre quando o pessoal do Coquetel Molotov coloca uns shows lá no Uk em uma terça-feira da vida dá uma lotação boa. Tudo bem que algumas pessoas não estão indo pra ver o show mesmo mas mesmo assim eles estão lá e pagaram pra entrar. Aí vem uma banda como o Ludov que há mais ou menos um mês atrás foi tocar em Natal e não passou por aqui. E eles acabaram de lançar um disco novo então, penso eu, devem estar morrendo de vontade de tocar em tudo quanto é lugar.

Só acho que tudo poderia está um pouco mais movimentado por aqui. Um lugar que é muitas vezes citado como um pólo cultural, com grande repercussão musical. E o povo tem de ajudar também. Pra num acontecer algo como o show da Jason, Supergalo e The Nation Blue. Tem um público grande de hardcore no Recife e eu num acho que foi tão mal divulgado assim pra ter tão pouca gente. Só uns gatos pingados lá naquela quinta-feira. Acho que tinha mais ou menos umas cem pessoas lá. Contando com o pessoal das bandas. E o público tava frio e chato, tirando umas exceções excêntricas. Era um show de hardcore sem ‘roda’, onde as pessoas que assistiam aos shows de vez em quando cruzavam os braços.

Bom, vamos ver se depois do “No Ar” desse ano o pessoal se anima um pouco pra agitar as coisas. Peço que por favor façam algo. Até.

#5

Jazz Festival no Recife. Ótima época do ano. Começou ontem o festival, fui conferir e digo que começou muito bem. Não encheu o teatro, mas o público que estava presente saiu com um grande sorriso estampado no rosto. E não era pra menos. As duas performances da noite, Porteña Jazz Band e Irakli and The Louis Ambassadors, foram simplesmente geniais.

O pessoal mais jovem estava presente em peso. O que me surpreendeu um pouco. Ano passado menores de 40 eram escassos em meio ao pessoal que circulou pelo teatro. Mas ontem tinha muita gente na casa dos 20. Principalmente meninas. Belas meninas. A que se deve isso? Não sei, e nem vou tentar arranjar alguma explicação. Um fenômeno raro eu diria. Mas muito bem vindo. Os velhinhos ainda estavam lá. E eram a maioria como é de se esperar. Uns bem empolgados, principalmente uma senhora que estava perto de mim e se levantou e começou a dançar mostrando todo seu rebolado. Cômico. Mas vamos deixar as pessoas serem felizes certo?

E felizes estavam os músicos ontem. Tocando empolgados e fazendo um bom contato com o público. Para os argentinos da Porteña foi mais fácil se comunicar usando o bom e velho portunhol mas até o francês Irakli se fez entender muito bem com suas caras e bocas e seus constantes “Merci Beaucoup!” agradecendo aos aplausos da platéia.

A única coisa que pode ser vista como ruim, ou não tão boa, nesse festival, pelo menos por mim, é o preço. São três dias de festival e o ingresso pra cada dia custa R$50, estudante paga meia.  Num é todo mundo que vai pagar isso, ou tem como pagar, pra ver duas bandas que das quais possivelmente nunca ouviram falar. Mas é um gasto que vale a pena. Esse é o único festival de jazz que acontece aqui em Recife, e traz nomes de peso lá de fora pra tocarem aqui.

O jazz é aquela coisa. Todo mundo adora e acho lindo. Mas se tem algo ninguém vai. Aí complica principalmente pra produtores em investir dinheiro para realizar eventos como esse e com esse porte. Um negócio de alto-risco.
Então quando tem algo a gente tem de aproveitar. Ainda mais no Teatro Santa Isabel, que é um espetáculo por si só. Bom, ainda tem hoje e amanhã pra quem se animar. Eu vou pelo menos mais hoje. E já aproveitando a ondinha de festival logo mais vou escrever sobre o No Ar Coquetel Molotov e a santidade que este vem conquistando. Até!

#4

Hoje praticipei de uma cena ótima no ônibus. Tava vindo do centro, com fome, muita fome, e um pouco de calor apesar de que hoje tá agradável o tempo. Sentei logo no primeira cadeira que estava vaga e eu poderia esticar minhas pernas. Tudo ótimo. Sentei. Coloquei os fones nos ouvidos. Dei play. Bright Eyes começa a tocar e meio que fujo da cansativa viagem até meu querido lar onde o almoço me esperava. Tocou uma música. Durante a segunda percebi um velho falando do outro lado da catraca. Falando alto. Peguei umas palavras no ar. Evangelho isso, evangelho aquilo, só o evangelho salva – dizia ele empolgado. Ele então vez ou outra apontava pra mim. E ficava meio que me encarando. Apesar dele portar óculos escuros dava pra perceber que ele me encarava. Tudo bem. Tirei um dos fones pra ouvir o que ele tinha a dizer.

Lá tava ele metendo o pau em todas as religiões que apereciam pela sua cabeça. E dizendo que só o evengelho salvava e deveríamos o seguir pelos caminhos obscuros da vida. O pior é que ele colocava todas as religiões no chão, afirmando que todas elas eram cheias de palhaçadas. Mas o que era isso que ele tava fazendo ali?

Ele começou a se repetir. Tentando converter alguém naquele “Alto Sta. Izabel” à Irgreja Evngélica. Não demorou muito pra ele começar a se repetir. Recoloquei o fone. Aí ele passou a apontar pra mim de novo. Repetia algo que já havia dito e concluia com “…amais, amais…”. E eu lá rindo. E recolocava o fone. E ele me apontava aquele dedo enrugado novamente.

Então resolvi desistir da música e ver se ele parava de me pertubar. Não funcionou. Ele começou a falar coisas como “quem não é evagélico está entregue às trevas!” e por aí vai. Se empolgou mesmo na parte das trevas ele. E sempre voltando a me apontar o dedo e se dirigir a mim. E eu sempre respondendo com apenas uns risos. Então chegou perto da minha parada. Me levantei e ele então disse “…amais meu filho que ainda há tempo pra ti! Ainda há tempo de fugir das trevas…”.

Meu senhor, desista de mim. Já me entreguei às trevas que o senhor vem citando repetidamente tem uma meia hora. E estou muito bem com as trevas ao meu redor. – foi mais ou menos isso que tive vontade de dizer. Mas ao ver a cara das pessoas no ônibus, em sua maioria rindo do que ele, preferi ficar calado. Num tinha nada pra eu dizer a ele. No olhar daquelas pessoas soava uma palavra em coro.

Ridículo.

Sorri, me virei e deixei o ônibus. Feliz da vida. Coberto pela escuridão de um dia nublado no Recife e prestes a comer um delicioso almoço.

#3

Essa coisa de ler um romance de outro canto do mundo leva mesmo você a conhecer outros lugares. Contanto que não se tratem de lugares ficcionais está ótimo. Querendo ou não você acaba pegando algo da cultura do outro, mesmo lendo a obra traduzida, o que já faz ela perder algumas coisas importantes. Eu tô lendo um romance polônes. Dessa Dorota Masłowska que causou um certo alvoroço no mundo da literatura, foi vista como uma nova luz na literatura polonesa. Literatura polonesa. Esse é o meu primeiro contato com ela. E é bom. Muito bom.

Acho que muita gente nem lembra que a Polônia esxiste. Até considero isso bastante normal. Você pode ler o jornal todo dia o ano inteiro e acho que terá grandes chances de passar um ano inteiro sem nem ler o nome Polônia ou algum adjetivo que remete a esta. Tá, talvez em alguma coluna esportiva em época de Olimpíadas ou de algum campeonato internacional de futebol. Eu mesmo num lembro quando foi a última vez que eu vi algo falando sobre a Polônia. Fora quando eu vi esse livro do nada em uma prateleira. Achei bonitinho. Comprei. Gostei.

Aí também aparece um certo problema quando se ler algo de outro país e não se conhece quase nada sobre este. A gente possivelmente vai simpatizar com o protagonista e então iremos adotar seus ideais. O que não é nada legal. Mas pelo menos você tá lendo uma história onde tem que existir algum ponto de vista. Pior é no jornal onde muitas vezes vão tentar a nos levar a acreditar em algo por puro interesse. A coisa de tentar ser neutro pelo menos comigo não funciona muito bem quando eu tô lendo algo. Mergulhar em um mundo que não é o seu sem se envolver com a leitura e gerar alguns pensamentos por causa desta num vai ter a mínima graça. Pra mim pelo menos não.

Bom, já escrevi mais do que eu pretendia. Era pra ser um post rápido pra complementar o de ontem. Ficou meio que sério de mais e besta de menos. O título do livro é “Branco Neve, Vermelho Rússia” pra quem quiser ir atrás e arriscar uma leitura diferente. Mas se forem ler num sejam neutros com o coitado do livro. Se envolvam. A gente num é uma Suiça! Tá todo mundo no mesmo plano aqui. Divirtam-se!

#2

Final do primeiro dia de aulas do segundo semestre. Tô cansado. Foi um dia bem puchado, bem mais do que eu esperava. Começou ontem às 22h, comigo em minha linda cama embolando de um lado para o outro sem conseguir durmir. Meio bêbado. Mais de Bacardi do que de Cerveja e Pitú. Enfim, coloquei uns cds no som e tentei durmir com música. Coloquei primeiro o Razorblade Suitcase do Bush, depois o monótono e sacal acústico da Lauryn Hill, e nada de funcionar. Aí parti pra Veni Vidi Vicious do Hives….e funcionou. Durmi na última música mas funcionou. E eu voltei a adorar os Hives. Já escutei o cd mais de uma vez hoje. Tão bom.

Acordei com um bom reboliço no estômago. Aquele que só o bom e velho rum sabe fazer. Mas felizmente passou logo depois do café da manhã. Vai ver era só fome. Fui pra aula. Primeiro dia. Temporal. Recife virou um rio. E eu estava dentro do carro no meio desse rio. Indo lentamente pra faculdade. Cheguei atrasado e o professor também. Inclusive a professora da aula posterior chegou bem uns 30 minutos atrasada. Estávamos indo embora quando ela entrou. Começou a aula. Aí vem aquele velho papo sobre o professor se apresentar e expor seus métodos de ensino e nos incentivar a continuar porque nós teremos um futuro brilhante pela frente e blábláblá. Das três aulas diferentes que tive na faculdade hoje, duas de manhã e uma à noite, posso dizer que duas foram terrivelmente horríveis. Teve uma, a da professora que chegou uns 30 minutos atrasada, que foi bem divertida. Velhinha simpática. Tirando a tremedeira dela tá tudo ótimo nessa aula. Ela sugeriu uns filmes e romances pra aprofundar nossos conhecimentos, principalmente na matéria dela. Geografia e política internacional se chama a cadeira dela. Ela fez uma boa apresentação, seria quase perfeita se não tivesse a infame intromição do coordenador do curso. Como sempre lá estava ele combinando as meias com a camisa, e se comunicando como se estivesse falando com uma turma do primário. Acontece! A aula dele que foi a da noite foi o porre supremo. Me ausentei por uns dez minutos pra tomar um ar porque não tava dando mais. Escrevi demais!

A música do dia de hoje é “Chinese Children” do Devendra Banhart. Pra mim pelo menos. Baixe, escute e leia a letra. Se vier ao caso, imprima a letra e grave a música em um cd. Leve pra a aula. Mostre pra um professor de geografia ou história ou filosofia ou sociologia. Talvez ele virá com alguma consideração ridícula sobre o crescimento desenfreado da China!

Eu tinha mais outras pra escrever…mas me fugiram ao longo do dia. Pena, ou sorte de vocês…nunca se sabe! Foi um monte de baboseira….boa noite!

#1

É, criei esse blog. Mais outra coisa que talvez possivelmente entrará no hall de coisas que eu começo e simplesmente abandono. No caso desse blog ele já começou bem, fiz ele faz umas duas semanas já e nada de post, a única coisa que fiz foi mudar o banner. Ficou bom? É que era pra ser um blog falando exclusivamente sobre discos e sobre como é complicado ser um colecionador destes habitando esse país chamado Brasil. Falando em discos, você daria $200 em um disco novo? Uma edição limitada em 500 cópias que tem uns extras, uma embalagem exclusiva bem legal e é bom. Foi lançado só a uns meses atrás e nem tá “Out Of Print”. É…eu acho que eu daria os $200 por ele.

Mudando completamente de assunto irei ao que levou esse post a ser escrito. Primeiro uma boa conversa por ‘msn’ que não daria em nada de mais e em segundo mas com extrema importância: o ócio. O bom e velho ócio que move milhares de blogs internet afora. Sabe que eu tô com fome?

O pior é que eu tô agüentando a fome porque daqui a pouco vou em uma pizzaria e vou descarregar toda a minha fome na pizzaria. Várias fatias, várias calorias. E assim jogo ao limbo os quarenta e poucos quilômetros que corri e andei nessa semana. Frustante não? Passo a semana inteira me exercitando pra chegar na sexta-feira e eu cobrir o que eu tinha perdido!

Ah sim! Fui num show ontem! The Nation Blue, Supergalo e Jason. The Nation Blue que abriu a noite, o que foi bem errado a meu ver, e fez um show até bem energético levando em consideração o público frio e escasso que tava assistindo, acho que umas 20 a 30 pessoas. Depois teve a Supergalo que foi merda. Pense numa banda ruim e num showzinho bostinha. E pra concluir teve a Jason, também conhecida por ser o projeto paralelo do Barba do Los Hermanos. Eles tocam aquele velho hardcore à la Ratos de Porão onde as músicas não acabam, elas simplesmente param depois de no máximo 2 minutos de execução. O que é bom pois eles tem um show com um repertório de umas 30 músicas! Reinou alegria de uns 10 fãs da banda que tavam lá na frente do vocalista pulando e cantando com ele o show inteiro, além de berrar no microfone do baixista. Isso rendeu algumas boas risadas além de Gomão da banda Vamoz ajeitando o som e fazendo umas caretas bem hilárias. Noite fraca no geral mas divertida, tirando o zumbido do ouvido pós-Jason! Ah…e o som tava bem ruinzinho.

3h40 depois: Acabo de voltar da pizzaria, entupido de pizza é claro! Nada de noitadas por hoje. Vou me recolher e ver um filme mesmo. Até!

Obrigado kimmy!


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